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Com inflação em alta, Banco Central deve acelerar alta de juros

Mercado prevê alta de 1 ponto percentual da Selic para 5,25% ao ano (Divulgação/Flickr)

Com a inflação projetada caminhando para o dobro da meta perseguida pelo governo em 2021, o Banco Central deve acelerar a alta de juros nesta quarta-feira, 4. A expectativa do mercado financeiro é de que, após ter elevado a Selic (a taxa básica de juros) em 0,75 ponto porcentual por três reuniões consecutivas neste ano, o BC desta vez promova um aumento de 1,00 ponto porcentual. Se isso ocorrer, a Selic atingirá os 5,25% ao ano, o maior nível desde outubro de 2019.

Os aumentos sucessivos da Selic são uma tentativa do BC de segurar a inflação no Brasil. A escalada dos preços de alimentos, combustíveis e energia elétrica fez com que os economistas do mercado financeiro já projetem inflação de 6,79% para 2021, conforme o Relatório de Mercado Focus. O documento é uma compilação feita pelo BC das projeções do mercado para os principais indicadores da economia.

O problema é que este índice de 6,79% está bem acima da meta de inflação, de 3,75% para o ano. Como possui uma margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual, o BC poderia, em tese, deixar a inflação ir até 5,25% este ano – mas as projeções do mercado sugerem que a batalha está perdida.

Para piorar, os economistas projetam inflação de 3,81% para o próximo ano, sendo que a meta é de 3,50%. Como a margem do BC também é de 1,5 ponto porcentual, a alta de preços poderia chegar até 5,00% em 2022. Só que os índices projetados estão, gradativamente, se distanciando da meta estabelecida. Se a pressão de preços continuar, o BC descumprirá a meta também no próximo ano.

Desde o segundo semestre de 2020, os preços de commodities internacionais, como soja e milho, tem aumentado, o que impacta o custo de alimentos também no Brasil. Além disso, combustíveis e gás de cozinha têm pressionado o orçamento das famílias, assim como o custo da energia elétrica. Mais recentemente, a geada em algumas regiões do País prejudicou a produção de alimentos, com impactos nos preços ao consumidor final.

Neste cenário, restou ao BC iniciar em março deste ano o processo de alta da Selic, para que a inflação não dispare em 2022. O ano de 2021 já é considerado perdido para o cumprimento da meta.

Como os números de inflação não param de piorar, a maior parte dos economistas do mercado espera que o BC intensifique os esforços para conter os preços. De um total de 51 instituições consultadas pelo Projeções Broadcast, 44 esperam pela elevação da Selic em 1,00 ponto nesta quarta-feira, para 5,25% ao ano. Apenas sete casas aguardam aumento de 0,75 ponto porcentual, com a Selic chegando a 5,00%. Para o fim de 2021, a mediana das projeções indica uma Selic a 7,0%.

Risco fiscal

Além de ter que lidar com a alta de preços em vários setores, o BC precisará ponderar amanhã o tamanho do risco fiscal para a inflação futura. Com dificuldades para fechar as contas nos últimos anos, o governo viu o risco subir desde o início da pandemia do novo coronavírus, em função das despesas para sustentar programas emergenciais e gastos não previstos.

Economistas de dentro e fora do governo sempre lembram que o equilíbrio fiscal é pré-requisito para o controle da inflação e o crescimento sustentável da economia. Se o governo gastar demais, a tarefa do BC de segurar a inflação via juros torna-se ainda mais difícil.

Nos últimos dias, este equilíbrio foi novamente colocado em xeque, após o governo disparar o alarme em torno do pagamento de precatórios previsto para 2022.

Como informou o Broadcast no dia 30, o governo Bolsonaro discute mudanças nas regras de pagamento de precatórios – os valores devidos a empresas e pessoas físicas após sentença definitiva da Justiça. O valor das sentenças para 2022 é calculado em R$ 90 bilhões, acima dos R$ 54,75 bilhões previstos no Orçamento. Em sua proposta, o governo estuda pagar à vista precatórios de até R$ 66 mil e parcelar o restante. As mudanças, no entanto, dependem da aprovação pelo Congresso de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC).

Por Fabrício de Castro

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