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Incertezas fiscais e política desafiam mercados em agosto

Os mercados brasileiros entram no mês de agosto imersos em incertezas (Foto: Pixabay)

O mês de agosto deve ser marcado pela instabilidade, entre o bom humor pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 e a sustentação dos preços altos das commodities no exterior, e o pessimismo em decorrência da deterioração das contas públicas, dos ruídos políticos e da possibilidade de abandono do teto de gastos, segundo analistas.

Os últimos dias de julho trouxeram maior aversão ao risco por parte dos investidores com relação aos ativos brasileiros, com o Ibovespa fechando a sessão da última sexta-feira (30) com baixa de 3,08%, o dólar subindo a R$ 5,20 e as taxas de juros disparando. De acordo com Ubirajara Silva, gestor da Galapagos Capital, o final de mês “amargo” se deve, principalmente, às ameaças de abandono da Lei do Teto de Gastos pelo governo federal, após declarações do presidente Jair Bolsonaro defendendo um aumento do endividamento público para financiar um aumento no valor do Bolsa Família e uma possível extensão do auxílio emergencial. Segundo o gestor, o cenário político deve trazer volatilidade à Bolsa ao longo deste mês.

Além disso, o mês traz mais uma reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), entre os dias 3 e 4, na qual será decidida a taxa Selic. Investidores e analistas apostavam em alta de 1 ponto percentual antes dos últimos eventos que trouxeram mais instabilidade para os mercados, o que elevaria a taxa de 4,25% para 5,25% ao ano.

No cenário político, a tramitação da proposta de reforma tributária na Câmara dos Deputados também merece destaque, conforme a análise do economista João Leal, da Rio Bravo Investimentos, uma vez que os parlamentares voltam de recesso e devem discutir as novas regras para tributação de dividendos.

Ações

Henrique Esteter, analista da Guide Investimentos, avalia que os setores que devem apresentar os melhores resultados em agosto são o varejo, na esteira da reabertura da economia conforme a vacinação avança no País, os bancos de investimentos, que seguem se beneficiando do mercado de capitais aquecido, apesar do ciclo de alta de juros, e a mineração, com a alta da demanda na China e os preços elevados das commodities metálicas no exterior.

Régis Chinchila, analista da Terra Investimentos, destaca que as ofertas públicas iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) atraíram recursos para a B3 em julho, e podem favorecer o mercado acionário brasileiro no início de agosto. Por outro lado, o analista observa que o cenário político instável e a alta da inflação, impulsionada pela elevação das tarifas de energia elétrica em meio à crise hídrica, inspiram cautela.

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Ubirajara Silva, por sua vez, acredita que, passado o IPO da Raízen, empresa de energia que atua na produção de açúcar e etanol, com estreia na Bolsa prevista para esta quinta-feira (5), o volume de ofertas na B3 deve arrefecer, abrindo espaço para que os investidores montem posições em empresas mais tradicionais. Além disso, o gestor observa que é importante prestar atenção na divulgação de balanços de grandes empresas do Ibovespa, como Itaú (ITUB3, ITUB4), Bradesco (BBDC3, BBDC4) e Vale (VALE3), e comenta que acredita que “os resultados devem vir melhores do que o mercado está esperando”, o que pode dar forças ao Ibovespa na tentativa de retomar o patamar de 126 mil pontos.

LDO e reformas

Passado o recesso parlamentar, os deputados voltam a discutir a proposta de reforma tributária, fundamental para que os mercados conheçam as novas regras do jogo e busquem se adequar a elas. A reforma, caso aprovada, deve instituir a cobrança de impostos sobre os dividendos distribuídos pelas empresas no Brasil, com alíquota proposta de 20%. Uma vez definida a reforma tributária, o Congresso deve se debruçar sobre a reforma administrativa, que trata dos gastos com o funcionalismo público.

Chama a atenção ainda a possibilidade de aumento do fundo eleitoral, previsto na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) encaminhada para a sanção presidencial. De acordo com a LDO, a quantia destinada para o financiamento de campanhas eleitorais em 2022 seria de R$ 5,7 bilhões, bem acima do valor de R$ 1,7 bilhão gasto em 2018. Bolsonaro prometeu vetar o aumento do fundo acima da inflação, o que limitaria o valor a cerca de R$ 2,1 bilhões.

Cenário internacional

No exterior, destaca-se a política monetária dos Estados Unidos. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, reafirmou, após a última reunião do conselho que manteve a política monetária inalterada, que o país não tem intenções de reduzir os estímulos. Nicolas Borsoi, economista da Nova Futura Investimentos, explica que é esperado que os índices de inflação comecem a arrefecer ao redor do globo, mas alega que “se isso não ocorrer, os investidores podem começar a duvidar da tese de alta transitória de inflação e demandar mais rendimentos no mercado de juros”.

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