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Juros: Alívio com trégua de Bolsonaro não se mantém e DIs voltam a embutir prêmio

Mercado de juros voltou a adicionar prêmios na curva com turbulência política (Foto: Steve Buissinne/Pixabay)

O mercado de juros não teve fôlego para sustentar a melhora iniciada ontem na sessão estendida e voltou a adicionar prêmios na curva relacionados à cautela com o cenário político. A comparação das taxas no fim da sessão regular desta sexta-feira com os ajustes e com os níveis de fechamento de ontem mostram fotografias bem distintas, com queda e alta, respectivamente. O alívio visto ontem no fim do dia, após o presidente Bolsonaro aparentemente estender a bandeira branca ao Judiciário, teve vida curta, na medida em que suas declarações hoje já resgataram a desconfiança sobre a real intenção conciliadora entre os Poderes.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2023 fechou a 9,16% (9,258% no ajuste e 9,025% no fechamento ontem); a do DI para janeiro de 2025 ficou em 10,18% (10,276% e 9,97%); e a do DI para janeiro de 2027 passou a 10,58% (10,724% e 10,36%).

O mercado abriu o dia dando sequência ao movimento anterior, ainda sob o efeito da nota de Bolsonaro e com sinais de que a paralisação de caminhoneiros pelo País se enfraquecia. Mas aos poucos a postura defensiva foi se impondo. “O clima continua pesado. A trégua política parece instável e pouca gente acredita que Bolsonaro vai se segurar por muito tempo”, disse o estrategista-chefe da CA Indosuez Brasil, Vladimir Caramaschi.

Para acalmar seus apoiadores, o presidente tentou hoje justificar a “Declaração à Nação”. Negou que haja um “recuo” de manifestações bolsonaristas contra o Supremo Tribunal Federal (STF), disse que não é possível “degolar” seus opositores e que falas acima do tom fazem o dólar disparar, o que influencia o preço dos combustíveis. “É claro que os motes de Bolsonaro na disputa com o STF e o TSE não se esgotaram. Urnas, fake news e arredores continuam vivas. Assim como a agenda das ‘reformas’, por incrível que possa parecer”, afirma relatório do Banco Fator, liderado pelo economista-chefe José Francisco de Lima Gonçalves.

Chegou a trazer também apreensão a decisão do ministro do STF Ricardo Lewandowski de pedir destaque no julgamento do caso que trata da falta de norma que regulamente o prazo para o presidente da Câmara decidir sobre pedidos de impeachment contra o presidente da República. A solicitação do ministro – que leva o caso para discussão em sessão plenária presencial da corte – se deu logo após a ministra Cármen Lúcia, relatora, votar contra a imposição de limites de datas, mas o julgamento foi suspenso.

No balanço da semana, a curva acabou perdendo inclinação, especialmente em função da alta expressiva da ponta curta após a frustração com o IPCA de agosto e que detonou uma bateria de revisões para cima para IPCA e Selic, em meio ainda ao choque de preços de energia. “As opções para o Copom se ampliaram. Uma alta de 1,5 ponto na Selic, antes inimaginável, agora entrou no radar”, disse Caramaschi.

Por Denise Abarca

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