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Com Eletrobras e Vale, Bolsa se descola de NY e sobe

Nesta sexta-feira a Bolsa fechou em alta de 0,27% (Foto: Espaço B3/Divulgação)

O Ibovespa se firmou em alta a partir do meio da tarde, passando a renovar máximas da sessão, mesmo em dia negativo em Nova York, com queda de até 1,58% (Dow Jones) no fechamento desta sexta-feira. Ainda assim, o índice da B3 acumulou perda pela segunda semana consecutiva, embora moderada a 0,80%, vindo de ajuste negativo de 0,53% na anterior. Nesta sexta, fechou em leve alta de 0,27%, a 128.405,35 pontos, entre mínima de 127.595,32 e máxima de 128.796,23 pontos, com giro a R$ 50,0 bilhões nesta sessão de vencimento de opções sobre ações. No mês, o Ibovespa avança 1,73% e, no ano, 7,89%.

“O exercício de opções sempre traz volatilidade, o que se viu desde a manhã, com o novo sinal do Federal Reserve sobre juros e retirada de estímulos”, diz Robert Balestrery, sócio-fundador da SWM Investimentos, referindo-se ao presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, que mencionou nesta sexta opinião de que os estímulos monetários poderiam começar a ser retirados ainda em 2021, com aumento de juros nos Estados Unidos já em 2022. O fortalecimento de posição no Federal Reserve sobre elevação de juros em 2023, na reunião da quarta-feira, havia ligado luz amarela no mercado global quanto à antecipação do ciclo de alta nos EUA.

“O que realmente importa para o mundo são os juros americanos, e tivemos por lá juros a zero (ou perto disso) por 12, 13 anos. O mercado vai ter que se acomodar a essa nova realidade, em uma retomada econômica global que eleva preços de commodities e produz inflação”, diz Balestrery, chamando atenção para a possibilidade de o yield da T-note de 10 anos fechar 2021 a 2%.

“Hoje, houve abertura de juros nos Estados Unidos, no Brasil e em outras economias, com os comentários do Bullard, sobre inflação mais forte do que o previsto e que o Fed levará mais algumas reuniões para descobrir como reduzir seus estímulos monetários, o que afetou também as bolsas. Aqui, o dólar chegou a esboçar uma queda, mas não conseguiu sustentá-la, ficando acima do suporte de R$ 5”, diz Thiago Raymon, head de estratégia da Wise Investimentos.

Por outro lado, no Brasil, a aprovação no Senado da MP que dispõe sobre a privatização da Eletrobras foi um contraponto importante nesta sexta-feira para que o Ibovespa virasse o sinal e encerrasse o dia no positivo. “É a grande privatização do governo Bolsonaro e, mesmo com as 19 emendas, em negociação que se mostrou necessária à aprovação, acaba por prevalecer o ‘upside’ para as ações da empresa, com casas projetando os papéis a R$ 60, R$ 70 com a perspectiva de privatização”, observa Balestrery, da SWM, chamando atenção para o momento ainda favorável para a Bolsa brasileira, com atração de fluxo externo, em movimento dinamizado pelas revisões do PIB para 2021 e projeções para relação dívida/PIB mais acomodadas para o fim do ano, em torno de 83%.

Assim, com a recuperação vista à tarde, o Ibovespa interrompeu sequência de três perdas moderadas, a maior das quais na quinta, quando cedeu 0,93%, reagindo então ao Copom e, especialmente, às idas e vindas sobre a MP da Eletrobras, afinal aprovada à noite pelo Senado – com modificações que a devolvem à Câmara, com prazo final de deliberação sobre a matéria na próxima terça-feira, 22, para que a MP não perca validade.

Ainda que a inclusão de ‘jabutis’ no texto tenha afetado a percepção do mercado, Eletrobras PNB (+5,94%) e ON (+5,98%) seguraram a ponta do índice de referência da B3 nesta sexta-feira, também de boa recuperação para Vale ON (+3,01%, terceira maior alta do índice), com a indicação dada pela empresa sobre dividendos, e para o setor siderúrgico (CSN ON +2,73%). No lado oposto, destaque para Raia Drogasil (-3,81%), Santander (-3,32%) e CVC (-2,89%)

Após os sinais emitidos nesta semana por Federal Reserve e Copom de uma orientação mais restritiva para a política monetária, o mercado busca de alguma forma um reequilíbrio, ponderando o horizonte do ajuste em curso nos estímulos e na taxa de juros.

“Tivemos hoje alguma correção de exageros, um mercado de ‘vol’ (volatilidade) mesmo”, diz Igor Barenboim, sócio da Reach Capital. “A vacinação está avançando agora para a casa de 2 milhões de doses/dia, o que contribui para melhorar a perspectiva, em momento em que muitas ações mantêm ‘valuation’ atrativo, com o Brasil ainda barato quando comparado a outros ‘peers'”.

Por Luís Eduardo Leal

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