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Fundo Verde: crescimento econômico acima das expectativas, vacinação lenta

Para o Fundo Verde, de Luis Stuhlberger, a inflação é o principal fator em discussão no momento (Foto: Divulgação)

A Carta de Gestão de maio do famoso Fundo Verde, que conta com o nome de um dos gestores mais reconhecidos do nosso mercado, Luis Stuhlberger, veio um pouco diferente das anteriores.

Além do clássico comentário sobre os mercados e sobre o desempenho do portfólio do Fundo, a gestora trouxe, também, um artigo de Daniel Leichsenring, economista-chefe da casa, com uma análise de extrema relevância acerca do processo de vacinação no Brasil, que, para o Fundo, vem travando uma recuperação econômica que poderia ser muito mais robusta.

Conforme destacado na Carta, o “Brasil vem mostrando crescimento econômico melhor que o consenso esperava, em linha com nosso cenário de retomada cíclica. No entanto, tal processo poderia ser ainda mais robusto, caso a vacinação no país estivesse mais rápida.”

Um espaço para comentário acerca do artigo do economista está reservado abaixo.

Nesse cenário, o Fundo, que teve retornos positivos no book de ações (Brasil e exterior) e em posições de juro real no País, conquistou um retorno de 0,58% em maio, ante 0,27% do CDI. No acumulado de 2021, o Verde entrega +3,74%, contra menos de 1% do CDI (para ser mais exato, 0,96%).

A recente queda do valor do Dólar frente ao Real foi um dos fatores que ocasionou perdas para o Fundo no mês, que possuía posição comprada na moeda norte-americana. Outras perdas vieram “da posição tomada em juros nos Estados Unidos”, como relatado na Carta.

Antes de partirmos à questão da vacinação, vale comentar brevemente a visão do Fundo sobre os mercados globais.

Para o Verde, a inflação é o principal fator em discussão, atualmente, nos mercados mundo afora. O perigo da “explosão” de uma inflação nos EUA, principalmente, é algo que poderia abalar o otimismo das principais Bolsas globais – inclusive, da nossa. Para o Fundo: “Os mercados globais seguem sob a égide da discussão de sobreaquecimento e quão permanente vai ser o choque inflacionário atual.”

O Verde destacou, ainda, que o arrefecimento das taxas de juros globais em maio ajudou “os ativos de risco a performar bem”.

Por fim, um comentário sobre os criptoativos também foi lançado na Carta. “Vale notar que o mercado de criptomoedas teve uma enorme correção de preços, sem, no entanto, observarmos impactos relevantes em outras classes de ativos”, afirmou o Verde.

O comentário certeiro mostra, indiretamente, como o mercado de criptomoedas é, em alguma medida, descolado dos mercados acionários globais – e, também, de outros ativos.

Artigo de Daniel Leichsenring mostra processo lento e ineficiente de vacinação em maio

Na “segunda parte” da Carta, entra o artigo de Daniel Leichsenring, economista-chefe da Verde, com a sua visão acerca do processo de vacinação do Brasil.

O foco de sua crítica é, principalmente, o que se vê acontecendo desde o início de maio, quando o aumento das entregas de vacinas começou a ocorrer, mas a efetiva aplicação delas não acompanhou o movimento.

Para o economista, “o País poderia estar fazendo um trabalho muito mais eficaz na sistemática adotada para a aplicação das doses. […] Todos gostaríamos que houvesse muito mais vacinas, mas atribuir a lentidão atual à falta de oferta é uma desculpa que não condiz com a realidade. A velocidade da vacinação precisa aumentar rapidamente — e para isso julgamos que os critérios das fases devem ser ajustados.”

Assim, vê-se como, para Leichsenring, o que vem travando um aumento da aplicação efetiva de doses é, neste momento, os critérios para tal.

“Claramente, até o fim de abril, o que limitava muito a velocidade de vacinação era a baixa disponibilidade de doses, com a composição muito concentrada na Coronavac, que precisa de uma 2ª dose num curto intervalo de tempo. […] A principal mudança ocorrida de abril para maio [passagem em que ocorreu uma queda de 30%, do pico de vacinação do mês anterior, na aplicação de doses] foi a interrupção do processo de vacinação por idade para a vacinação por grupos com comorbidade. Entendemos que a vacinação por comorbidade é muito falha, precisa ser ajustada, e deve-se voltar a vacinar pelo critério da idade o mais rápido possível, mesmo que mantendo os portadores de comorbidade como prioritários”, diz Leichsenring.

Para validar seu argumento, o economista trouxe dados e gráficos que expõem o aumento das doses distribuídas e o crescimento do estoque de vacinas, ambos os fatores diante de uma aplicação em queda. Ainda mais, Daniel elenca alguns fatores para a ineficiência de se tomar como prioridade em vacinação os grupos com comorbidades. Segundo ele, as “dificuldades da vacinação por comorbidade são várias: não se sabe exatamente o número de pessoas, e é provável que haja grande superestimação, haja vista que várias pessoas têm mais que uma comorbidade. Mesmo havendo a comorbidade, não necessariamente sua comprovação é fácil ou disponível, e a exigência de documentação pode evitar que pessoas procurem a vacinação.”

A solução, para ele, consiste em se retomar o plano de vacinação que vinha sendo realizado até o fim de abril – e que, como é mostrado em seu artigo, dava mais certo que o atual (mesmo com um número de vacinas menor). Para o economista, “há uma maneira simples e fácil de acelerar novamente: voltar a adotar o critério incontroverso de idade — o mais simples e de fácil comprovação — e acelerar a permissão para que outros grupos prioritários possam se vacinar.”

Por fim, diante de uma visão de “conservadorismo” na velocidade de aplicação defendida por alguns Estados (por conta da baixa previsibilidade de insumos), Leichsenring é enfático: “Acontece que ser conservador, neste caso, deveria ser sinônimo de adotar práticas menos arriscadas com a vida das pessoas. Em outras palavras: adotar uma estratégia inversa à que tem sido feita e acelerar o cronograma. Pode até ser que isso gere filas nos postos num volume por vezes maior que a capacidade do sistema de atender, o que certamente levará frustração àqueles que eventualmente não forem atendidos rapidamente. Mas é muito mais conservador com a vida das pessoas do que deixar doses paradas em alguma geladeira […].”

Para uma leitura completa e a visão dos dados expostos no interessante artigo de Daniel, recomendo a leitura da Carta na íntegra, que pode ser encontrada neste link: Carta de Gestão do Verde – Maio.

(Este conteúdo é fruto de uma parceria entre a Levante Advice e o Mercado News)

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