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Entrevista: Apesar de correções, Bitcoin deve subir no longo prazo, diz CEO da Brasil Bitcoin

Preço de 1 Bitcoin oscila faixa de US$ 50 mil após bater recorde em US$ 57 mil (Foto: Shutterstock)

O Bitcoin deve continuar subindo no longo prazo, de acordo com a análise de Marcos Vinicius Castellari, CEO da Brasil Bitcoin, corretora brasileira de criptomoedas que conta atualmente com 110 mil clientes.

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    Apesar de passar por correções após a alta vertiginosa que sucedeu declarações de empresários e celebridades que aderiram à criptomoeda, com destaque para o bilionário sul-africano Elon Musk, fundador da montadora de veículos elétricos Tesla, o Bitcoin segue oscilando em torno dos US$ 50 mil, após ter batido os US$ 57 mil no dia 21 de fevereiro. O preço se mantém muito acima dos US$ 33 mil observados no fim de janeiro.

    Em entrevista ao Mercado News, Castellari falou sobre a tendência de oscilação no preço do Bitcoin no curto prazo. “Eu acredito que haverá correções, até porque o preço subiu muito e muito rápido, mas o Bitcoin deve continuar subindo, essa é a expectativa”, disse.

    Além disso, o CEO abordou o recente entusiasmo em torno das criptomoedas, que vem sendo descobertas por novos investidores que querem incluir esses ativos em suas carteiras. Castellari destaca que o Bitcoin se popularizou e se valorizou mais do que outras moedas digitais por 2 motivos: pioneirismo, por se tratar da primeira criptomoeda, e estabilidade, por não apresentar bugs ou problemas, o que inspira confiança nos investidores.

    A seguir, leia a entrevista com Marcos Vinicius Castellari, CEO da Brasil Bitcoin:

    Quais os motivos da recente alta do Bitcoin?

    São vários fatores, e um fator acaba levando ao outro, mas muita gente está conhecendo agora as criptomoedas, e é uma área muito empolgante. As pessoas acabam entrando, querendo aprender um pouco mais sobre trade e isso faz com que o preço suba.

    Temos também a questão não só do Elon Musk, mas também de outras empresas bilionárias que estão fazendo reservas em criptomoedas, e isso traz muita credibilidade para os ativos. [A falta de credibilidade] é um grande problema para as criptomoedas, porque as pessoas desconfiam de tudo relacionado a elas, então a partir do momento em que temos empresas tão grandes e pessoas tão conhecidas entrando nesse ramo, isso traz a credibilidade necessária e as pessoas se sentem mais confortáveis em negociar esse tipo de ativo. Isso faz com que o preço suba.

    Qual a sua perspectiva para o Bitcoin em 2021?

    A Selic está muito baixa, então não dá mais para ficar nesses investimentos tão seguros porque eles não estão rendendo mais nada, praticamente. Por isso as pessoas acabam optando por investimentos mais arriscados, e o Bitcoin é uma ótima opção. Mas é preciso ter cuidado, já que a previsão [da valorização da criptomoeda] é muito difícil. Eu acredito que haverá correções, até porque o preço subiu muito e muito rápido, mas o Bitcoin deve continuar subindo, essa é a expectativa.

    Se você olhar a tecnologia em si, como é construído [o Bitcoin], é algo muito interessante e que pode vir a substituir moedas, portanto acredito que a cotação deva continuar subindo, com mais empresas aderindo a esse tipo de tecnologia. Em suma, acredito que o preço subirá no longo prazo, já no médio ou curto prazo, é impossível de saber.

    Como você explicaria o Bitcoin para um investidor interessado? Quais as principais vantagens e os principais riscos?

    A tecnologia [por trás do Bitcoin] é blockchain, que permite que as pessoas consigam fazer transações sem ter que passar por autorização de ninguém, diferentemente dos bancos, onde as transferências passam por análises internas, com alguém podendo decidir se aquela operação segue em frente. Na blockchain, deve haver um consenso para definir se uma transação é verdadeira, o que traz muita segurança e liberdade, principalmente, porque não existe uma pessoa responsável por definir se você pode ou não fazer aquela transação.

    Uma das dúvidas que muita gente tem é sobre a possibilidade de desfazer transações, temos muitos clientes que perguntam isso, mas isso é impossível no mundo de criptomoedas. Uma vez que você envia uma transação, ela não pode mais ser desfeita, salvo raríssimas exceções nas quais não houve ainda confirmação. [Isso ocorre] porque uma vez que a transação vai para a rede, ela já está nos computadores de milhares de pessoas ao redor do mundo, e não tem como desfazer.

    Junto com a popularização do Bitcoin, vemos o surgimento de diversas outras criptomoedas menos conhecidas. O que torna o Bitcoin mais valioso e mais demandado do que as demais criptomoedas? E como o surgimento de novas opções nesse ramo pode afetar o desempenho do Bitcoin?

    O principal motivo [do destaque do Bitcoin] é o fato de ter sido a primeira criptomoeda, então se popularizou muito, além de ser muito estável. Para quem trabalha com a parte tecnológica, de programação, já encontramos vários problemas, pequenos e grandes, com outras criptomoedas, mas, com o Bitcoin, praticamente não existem bugs ou problemas, o que o torna mais confiável em comparação com as outras opções.

    Agora, o surgimento de outras criptomoedas é, de certa forma, saudável para o Bitcoin, porque hoje existe um grande problema com o valor das taxas para transações [em Bitcoin]. As taxas estão altíssimas, chegando a R$ 150,00 ou R$ 200,00. Se tratando de uma transação de valor baixo, por exemplo, R$ 50,00, não tem como. Então o surgimento dessas outras criptomoedas viabiliza essas transações menores, por exemplo com o Bitcoin Cash, em que você paga em torno de 10 centavos de taxa: dependendo da operação a ser feita, por exemplo, a compra de um produto de uma loja da China que aceita criptomoedas, a pessoa deve optar pelo Bitcoin Cash e não pelo Bitcoin por conta da taxa. Então a existência dessas outras criptomoedas é saudável e, eventualmente, uma delas pode vir para sanar esse problema das taxas, já que elas tendem a ter taxas menores por existirem menos pessoas operando com elas. E outra pode trazer a tecnologia necessária para baratear as taxas mesmo com um volume maior de operações.

    Como é determinada a taxa de operação em criptomoedas?

    A taxa depende de quantas transações existem na rede aguardando confirmação. Então é por isso que em uma situação de alta do Bitcoin, a taxa fica mais alta, já que, com o ativo subindo, as pessoas optam por fazer o trade, enviando criptomoedas de uma corretora X ou carteira X para outra corretora Y ou carteira Y para poder liquidar esses ativos. Então acaba tendo muitas transações para poucos “mineradores”, que ficam responsáveis por confirmar essas transações, e assim se inicia um “leilão” no qual esses mineradores optam por realizar as transações que estão pagando mais, deixando as transações que estão pagando menos para trás.

    Qual o perfil dos investidores que estão optando pelo ramo das criptomoedas hoje em dia?

    Existe todo tipo de gente, até pelo perfil no qual a pessoa irá operar. Existem aquelas que compram para “holdar” (ou “segurar”) por um longo período a criptomoeda, e existem aquelas que vão fazer o trade, que consiste em ficar comprando e vendendo, e aí existe o trade entre corretoras ou o trade dentro de uma mesma corretora.

    Vemos aqui na empresa desde pessoas que depositam R$ 20,00, quantia com a qual pode parecer que não dá para fazer nada, mas que é suficiente para o investidor aprender, até gente que faz operações de R$ 100 mil ou R$ 200 mil. Então é todo tipo de gente, e dependendo do quanto essa pessoa está investindo, ela consegue fazer determinado tipo de operação. É óbvio que quem deposita R$ 20,00 não vai conseguir fazer operações de compra na Brasil Bitcoin para vender em outra corretora, por exemplo, porque não vai compensar pagar a taxa. Mas esse investidor pode fazer trade dentro da própria corretora, comprando e vendendo, trabalhando somente com essa diferença de preço.

    Existe taxa para operações de trade realizadas dentro de uma única corretora?

    A taxa existe, mas é baixa, em torno de 0,2%, ou até menos, o que permite que se trabalhe dentro de uma só corretora tranquilamente.

    Quais as dificuldades encontradas para fazer com que as pessoas adquiram confiança nas criptomoedas?

    A tecnologia ainda é muito nova, o Bitcoin em si tem 10 anos, mas tem se mostrado muito estável e tem tido um crescimento que dá para se dizer que é constante. É muito difícil falar sobre essa questão de “bolha ou não bolha”, acredito que o Bitcoin vem crescendo pela beleza da própria tecnologia. O Bitcoin, se você olhar e tiver essa visão de longo prazo, é óbvio que veio para mudar a maneira com que são feitas negociações ao redor do mundo, então eu não o vejo somente como investimento. Ele pode ser usado sim [para investir], mas também deve ser usado no futuro para compra de produtos, uma vez que se resolva a questão da taxa.

    Sobre a questão da segurança, eu não enxergo nada hoje mais seguro do que o Bitcoin. Não existe hoje nenhum caso de quebra de chave privada de alguma carteira de Bitcoin, é extremamente seguro. O único problema que existe, e aí tem que ver o quão preparadas as pessoas estão para isso, é a questão da chave privada, que, diferentemente do banco, onde em caso de perda de senha você entra em contato com o gerente e solicita uma nova, no Bitcoin, se você for portar sua própria chave privada, se você perder isso, você perde tudo. Ninguém no mundo pode te ajudar com isso. Então as pessoas precisam se preparar para tomar o cuidado de não perder essa chave, mas fora isso a segurança é espetacular.

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