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Apesar de aversão a risco no exterior, Bolsa limita perda do dia a 0,24%

Expectativa é que Ibovespa alce novos voos, retomando o nível psicológico dos 100 mil pontos (Foto: B3)

O Ibovespa não resistiu à tarde ao aprofundamento das perdas em Nova York e acabou cedendo a linha dos 100 mil pontos no pior momento do dia, chegando a 99.761,84 na mínima desta segunda-feira, saindo de máxima a 101.783,79, com abertura aos 101.259,86 pontos. Ao final, o índice da B3 mostrava leve baixa de 0,24%, aos 101.016,96 pontos, bem moderada se comparada a recuo que chegou a 2,29% (Dow Jones) em NY, com perdas na Europa de até 3,71% (Frankfurt) na mesma sessão. Assim, o Ibovespa emendou a segunda perda, após quatro ganhos seguidos.

O desempenho positivo do setor elétrico e, especialmente, de bancos assegurou alguma resiliência à B3, em dia de queda nas ações de commodities (Petrobras PN -1,56% e Vale ON -1,50%), assim como para as ações de shoppings (Multiplan -4,29%) e do segmento de viagens e turismo (CVC -4,25%), os mais diretamente afetados pelas restrições a movimento associadas à pandemia. Enfraquecido, o giro financeiro totalizou R$ 21,9 bilhões e, no mês, o ganho do Ibovespa está agora em 6,78%, com perda no ano a 12,65%.

A aversão a risco no exterior foi o quadro de fundo para os negócios desde a manhã, em meio à segunda onda de covid-19 na Europa – pico de infecções na França e novo estado de emergência na Espanha – e com a eleição nos EUA batendo à porta no início da próxima semana.

Mantém-se a percepção de que a contagem de votos pode ser colocada em questão como último recurso do presidente Donald Trump, caso se confirmem pesquisas que dão vantagem de 9 pontos ao adversário, Joe Biden. A massiva votação antecipada observada este ano pode ter efeito dual: por um lado, assegurar maioria de votos imune a questionamentos, caso se confirme liderança com folga, um “landslide”; e, por outro, um processo de apuração que tende a se alongar.

Neste ambiente conflagrado, a primeira vítima é o pacote de estímulos nos EUA, que deve ficar mesmo para depois de 3 de novembro, após idas e vindas nas expectativas do mercado nas últimas semanas. Chefe da assessoria econômica da Casa Branca, Larry Kudlow “sinalizou que o ímpeto acabou, e não deu nenhuma razão para otimismo de que um acordo será alcançado este ano”, observa em nota Edward Moya, analista de mercado da OANDA em Nova York.

Por aqui, além da expectativa positiva para os balanços do terceiro trimestre, a atenção se volta nesta semana para o comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), ao final da reunião, na quarta-feira – espera-se algum sinal quanto a eventual aumento da Selic em 2021, ante o encurtamento de prazos e a elevação de custos para o financiamento da dívida pública, com R$ 643 bilhões em vencimentos no primeiro quadrimestre.

“A inflação se tornou um ponto de atenção do nosso lado, com a leitura da última sexta-feira, acima do esperado para o IPCA-15, contribuindo para puxar o DI um pouco mais para cima. No exterior, há armas fiscais e monetárias para combater a crise, e os recentes PMIs da zona do euro, Alemanha, Reino Unido, acima do esperado, mostram isso. Nos EUA, ainda há expectativa para novo pacote, mesmo que leve mais tempo. Aqui, não temos o fiscal, e o monetário já não está tendo tanto efeito – se tiver inflação, o bicho pode pegar”, observa Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante Ideias de Investimento.

Nesta segunda-feira, a relativa recuperação do setor bancário observada recentemente contribuiu para moderar as perdas do Ibovespa. Nesta segunda, destaque para Santander (+3,74%) e Bradesco PN (+1,24%) – apesar da recente busca por ações com desconto, o setor ainda permanece muito atrasado no ano, com perdas que chegam a 34,90% (BB ON) em 2020.

Por Luís Eduardo Leal