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Petrobras: Silva e Luna vai bem na Câmara em meio ao risco de ingerência

Silva e Luna manteve o tom firme no discurso, culpando os altos impostos e custos não relacionados à Petrobras pela alta dos preços dos combustíveis (Foto: Petrobras/Divulgação)

A participação do general Joaquim Silva e Luna, presidente da Petrobras (PETR4, PETR3), em audiência na Câmara dos Deputados para tratar da alta dos preços dos combustíveis movimentou o mercado brasileiro, que acompanhou de perto o evento, em busca de informações sobre a possibilidade de alteração da política de preços da companhia.

Apesar do tom crítico do presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas), em suas redes sociais antes do evento, e dos questionamentos de deputados tanto da oposição quanto da base governista, Silva e Luna manteve a firmeza no discurso durante a audiência, sinalizando que não há a intenção de realizar mudanças na forma como são calculados os preços dos produtos comercializados pela estatal.

O general responsabilizou os impostos e custos operacionais não relacionados à Petrobras pela alta dos preços da gasolina e do diesel, além de garantir que “a Petrobras não passa a volatilidade momentânea do preço internacional do petróleo”.

Visão do mercado

Para Luis Sales, estrategista-chefe da Guide Investimentos, as declarações de Lira têm como objetivo, em grande parte, mostrar para a população que o Congresso e ele próprio estão atentos ao problema da alta de preços dos combustíveis, mas não enxerga a possibilidade de que o legislativo tente intervir na administração da estatal.

Geraldo Mellone Jr, economista e analista da Bresser, afirma que a Petrobras entendeu que a melhor alocação para o seu capital é o investimento na exploração do pré-sal, e para isso a empresa vem se desfazendo de ativos que trazem um retorno mais baixo. O economista destaca, porém, que “uma redução ‘forçada’ no preço dos combustíveis pode  reduzir os recursos para a Petrobrás efetuar os investimentos que possuem retorno atrativo”, inviabilizando um melhor aproveitamento do potencial da companhia.

“É preciso lembrar que cerca de 15% a 20% do combustível consumido no Brasil é importado. Uma redução nos preços praticados pela Petrobrás poderia desestimular a importação por parte das distribuidoras, com o risco de produzir distorções no mercado, como falta de combustível”, complementa.

Em meio aos últimos resultados da petrolífera e às mudanças que vem sendo realizadas no seu modelo de negócios, Rafael Bevilacqua, estrategista-chefe da Levante, avalia que as ações da Petrobras estão baratas se olharmos para os dividendos oferecidos e para o potencial de crescimento dos lucros da companhia, mas não recomenda a compra dos papéis, uma vez que ainda existe o risco de rompimento deste modelo bem sucedido em caso de mudanças na política de preços dos combustíveis, especialmente na iminência das eleições de 2022.

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