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Entrevista: “Inter não tem acionistas, tem sócios de verdade”, diz RI

Inter aposta na estratégia cross-sell para monetizar clientes (Foto: Divulgação)

O Banco Inter (BIDI11, BIDI4) está percebendo que a cada trimestre os clientes novos entram consumindo produtos e serviços da plataforma digital cada vez mais rápido, em um bom engajamento do cross-selling, como em financiamento imobiliário e seguros, disse Felipe Rezende, Relações com Investidores da companhia, em entrevista ao Mercado News.

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    A estratégia de cross-selling é o grande objetivo do Inter e “vem acontecendo de forma muito natural”, segundo o executivo do banco digital que virou plataforma. “Quem usa a conta corrente fica muito mais fácil contratar um seguro com a gente, comprar um produto e ganhar cashback, investir em nossa plataforma, tudo dentro de um único aplicativo”, afirmou ele.

    Depois de dobrar o número de clientes em 2020, abrindo 25 mil contas por dia, a meta agora é engajar os 9 milhões de clientes para que conheçam todo o ecossistema da companhia, acelerando a monetização da base. Uma tese de valor que tem atraído investidores na B3 – o preço dos papéis dobrou em 2020. “Costumamos dizer que o Inter não tem acionistas, tem sócios de verdade, pequenos donos, que acreditam no nosso projeto no longo prazo”, comentou Rezende.

    A seguir, leia a conversa com Felipe Rezende, diretor de RI do Inter:

    O Inter espera manter em 2021 o mesmo ritmo de expansão da base de clientes vista em 2020?

    Sim, este é o objetivo. O Inter mais que dobrou sua base de clientes em 2020, saindo de 4 milhões em dezembro de 2019, para 8,5 milhões no fim do ano passado. E o ritmo continua forte em 2021, já atingimos 9 milhões de correntistas em janeiro, com uma média superior a 25 mil contas abertas por dia.

    Quais são hoje as avenidas de crescimento mais promissoras do Inter?

    Todas as avenidas do Inter estão muito bem estruturadas e tem uma equipe muito boa, focada em soluções e inovando sempre. Acreditamos que todas elas têm grande potencial para crescer em 2021. Vemos nossa área de banking e crédito muito sólida. Já as avenidas de seguros, shopping e investimentos estão crescendo muito rápido e também se consolidando no mercado.

    Na área de banking, até por ser nossa essência, e por ter iniciado a revolução bancária com a primeira conta 100% digital, gratuita e completa do País, lá em 2017, ela está muito bem resolvida e sólida.

    A Inter Seguros vem crescendo muito, temos mais de 300 mil clientes nesta avenida, e já oferecemos a maior variedade de produtos do País, tem seguro auto, vida, odonto, viagem, são 16 opções, todas com contratação 100% digital e com uma oferta muito customizada, linguagem simples e acessível.

    Com pouco mais de um ano nosso marketplace, o Inter Shop, também já apresenta resultados significativos, atingimos R$ 1,2 bilhão de vendas no ano passado, temos mais de 250 parceiros e todas as compras dão direito a cashback, de uma forma muito intuitiva. Então criamos um verdadeiro shopping dentro do app, que tem muitas vantagens, um modelo de negócio que acreditamos muito e tem tudo para também dobrar de tamanho este ano, principalmente com a chegada do delivery, que apostamos bastante.

    Por fim, temos a área de investimentos, que está cada vez mais robusta, com uma grande variedade de produtos, próprios e de terceiros, em uma plataforma aberta muito simples, muito fácil de investir, não cobramos taxa de corretagem e temos home broker gratuito. Resultado disso é que já temos mais de 1,3 milhão de clientes com algum tipo de investimento junto ao Inter e em dezembro tínhamos mais de 330 mil clientes com ações custodiadas, ou seja, 10% dos brasileiros que investem em bolsa.

    Como tem sido o processo de cross-selling de produtos?

    O cross-selling vem acontecendo de forma muito natural e é o nosso grande objetivo, engajar nossos 9 milhões de clientes para que conheçam todo nosso ecossistema, acreditamos que quem usa a conta corrente, fica muito mais fácil contratar um seguro com a gente, comprar um produto e ganhar cashback, investir em nossa plataforma, tudo dentro de um único aplicativo, ou seja, o Inter literalmente está criando soluções e não apenas financeiras, para que as pessoas resolvam todas, ou grande parte, de suas necessidades do dia a dia em seu app.

    A ação do Inter dobrou de valor em 2020 e continua despertando a atenção pela sólida valorização. A que o Inter atribui isso e como tem sido a interlocução com o mercado sendo único banco digital listado na B3?

    Costumamos dizer que o Inter não tem acionistas, tem sócios de verdade, pequenos donos, que acreditam no nosso projeto no longo prazo, que enxergam no Inter, em nosso crescimento, na nossa evolução de banco para plataforma múltipla de serviços, um ativo importante no futuro, que nosso modelo de negócios tem base sólida para continuar crescendo e entregando bons resultados, principalmente quando fazemos a “soma das partes” considerando as avenidas que compõem o Inter e comparamos com outros players.

    Alguns analistas reconhecem o forte crescimento na captação de clientes, mas temem pela demora na monetização desses clientes. O que pensam a respeito?

    Temos observado alguns movimentos importantes neste sentido: a cada trimestre, as novas safras de clientes já entram consumindo os produtos e serviços oferecidos dentro da plataforma cada vez mais rápido, e temos observado um bom engajamento dos clientes no cross-selling de produtos como financiamento imobiliário e seguros, por exemplo. Muitos clientes que já possuem financiamento imobiliário em outras instituições estão fazendo a portabilidade para o Inter, além do forte crescimento de novos contratos impulsionados pelas taxas de juros atraentes.

    Se considerarmos o resultado que tivemos tanto no IPO, quanto nos follow-ons, que foram verdadeiro sucesso e o valor das ações que mais que dobraram de preço, entendemos que o mercado enxerga a nossa proposta de valor de longo prazo e acreditam que o Inter vai seguir nessa trilha de crescimento sustentável.

    Como tem evoluído a estratégia de varejo na plataforma digital?

    A criação do Inter Shop, em nosso super App, se mostrou uma estratégia muito acertada, em menos de um ano de operação atingimos a marca de R$ 1 bilhão em vendas em novembro de 2020. Já são mais de 250 parceiros no app. Dá para comprar de tudo. Temos lojas como Amazon, Magalu, Casas Bahia, Centauro, Netshoes, Samsung, além de passagens aéreas e giftcards. Todas estas compras rendem cashback aos clientes, que recebem de volta o dinheiro em conta para usar como quando e onde quiser, sem precisar acumular pontos ou milhas. Estamos muito felizes com o desempenho de nosso marketplace e temos tudo para crescer ainda mais em 2021.

    O Inter já é precificado na B3 como Inter ou ainda ‘somente’ como Banco Inter?

    Acreditamos que os investidores já compraram a ideia do Inter como uma plataforma completa de serviços financeiros e não financeiros, muito além de um banco digital. Na verdade acreditamos que é essa razão que faz com que os investidores apostem no Inter no longo prazo, em sua capacidade de oferecer todo um ecossistema de serviços e apresentar muitas frentes de crescimento e receitas e não apenas serviços bancários, algo que no futuro poderia limitar demais sua operação e margem de crescimento.

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