Press "Enter" to skip to content

Bolsas da Europa têm perdas pelo 3º dia sem ancorar otimismo por pacote nos EUA


As bolsas da Europa têm o terceiro pregão consecutivo de perdas, com os investidores desencorajados a embarcar em um sentimento de otimismo em torno de um novo pacote fiscal nos Estados Unidos, fora a preocupação com a covid-19. A aversão a risco ofusca bons ventos da safra de resultados do terceiro trimestre, com destaque para a gigante de alimentos Nestlé e a Ericson, de telecomunicações, mas, por outro lado, tem reforço dos setores de saúde e construção, que têm uma manhã de baixa.

A queda generalizada nos mercados do Velho Continente contrasta com o desempenho das bolsas da Ásia e do Pacífico, que fecharam majoritariamente em alta. Às 7h07 (de Brasília), o índice Stoxx 600, que representa 90% das ações europeias, tinha declínio de 0,76%, a 362,74 pontos.

Um acordo para um novo socorro à economia norte-americana parece estar mais próximo – embora isso não anime os mercados nos dois lados do Canal da Mancha. Depois de progressos nas negociações, a presidente da Câmara dos Representantes nos EUA, Nancy Pelosi, e o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, terão novas conversas nesta quarta.

A preocupação com o alcance da covid-19 na Europa também mina o bom humor dos investidores. A Espanha anunciou um bloqueio de duas semanas, a partir de quinta-feira (22), no norte do país, enquanto a Itália avalia medidas mais duras. O “lockdown” de seis semanas na Irlanda começa hoje, primeiro membro da UE a adotar um novo bloqueio nacional.

“O sentimento do mercado azedou na Europa, à medida que os investidores estão cada vez mais preocupados com o aumento acentuado de novos casos da covid-19”, afirma o analista de mercados da australiana Axi, Milan Cutkovic.

Depois do desfecho desolador da semana passada, as tratativas em torno do Brexit parecem retomar com um horizonte mais promissor – ainda que um acordo possa ser encontrado apenas em meados de novembro. O negociador-chefe da União Europeia para o Brexit, Michel Barnier, disse que as “portas estão abertas” após conversar com sua contraparte britânica, David Frost. A sinalização apoia a libra esterlina, cotada a US$ 1,3059, ante US$ 1,2936 no fim da tarde de ontem.

Na renda fixa, a preocupação com novos “lockdowns” não impediu a União Europeia de estrear a captação de recursos para financiar o programa de auxílio-desemprego na pandemia, batizado de Sure, com o pé direito. Levantou “apenas” 17 bilhões de euros, mas atraiu uma demanda da ordem de 233 bilhões de euros, quebrando todos os recordes em emissões públicas no bloco.

Já na esfera macro, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) do Reino Unido subiu 0,5% em setembro ante igual mês do ano passado, conforme o Escritório Nacional de Estatísticas (ONS).

A baixa inflação, segundo o economista-chefe para Reino Unido da britânica Capital Economics, Paul Dales, associada a novas restrições por conta da covid-19, deve levar o Banco Central da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) a lançar uma nova fase do programa de relaxamento quantitativo (QE), de 100 bilhões de libras. “O Banco da Inglaterra não precisa se preocupar com a inflação para contemplar um estímulo extra”, avalia, em relatório a clientes.

Também às 7h07 (de Brasília), o índice FTSE-100, de Londres, tinha baixa de 1,15% e, em Frankfurt, o DAX caía 0,78%. O CAC-40, de Paris, apontava recuo de 0,94%, enquanto o FTSE-MIB, de Milão, declinava 0,98% e o IBEX-35, de Madri, registrava perdas de 0,96%. Em Lisboa, o PSI-20 tinha desvalorização de 0,23%.

Por Aline Bronzati