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Juros fecham em leve alta, à espera de ata e comunicações do BC

As taxas futuras de juros operaram nesta segunda-feira, 22, com leve viés de alta, à medida que o investidor aguarda mais clareza em relação aos próximos passos das políticas monetária e fiscal do País. A agenda esvaziada de indicadores e eventos hoje se traduziu em liquidez reduzida na maior parte dos contratos. A partir de amanhã, contudo, vem a público uma bateria de informações econômicas, que devem calibrar as apostas no mercado de juros: começa com a ata do Copom, passa pelo IPCA-15 e pelo Relatório Trimestral de Inflação e culmina na provável definição da meta de 2023 pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2021 passou de 2,019% na sexta-feira para 2,035% hoje (máxima). O janeiro 2022 foi de 3,012% para 3,030%. O janeiro 2025 avançou de 5,823% para 5,910% (máxima). E o janeiro 2027 subiu de 6,803% para 5,823%. Em todos os casos, a liquidez se encontra abaixo da média da semana passada.

Com esta série de informes, o mercado espera extrair informações sobre os próximos atos do Banco Central em relação à Selic. Na ata, a expectativa é de emergir novamente o debate em torno do limite efetivo mínimo dos juros, bem como em relação ao balanço de riscos. Analistas ouvidos pelo Projeções Broadcast não aguardam uma sinalização muito distinta para a trajetória da taxa do que a vista no comunicado que seguiu a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), na semana passada.

Essa visão é também a da economista-chefe do Banco Inter, Rafaela Vitória. Ela estima que o BC vai manter a Selic em 2,25% em agosto e deixar a taxa em níveis tão baixos no horizonte de dois anos. Para meados de 2022, por exemplo, ela aguarda juro básico a 3,50%.

“A curva começa a precificar taxas mais baixas. É claro que há o risco fiscal, mas se a gente trabalhar na agenda de reformas e manutenção do teto de gastos, é possível manter o juro mais baixo. Podemos até caminhar para uma taxa neutra próxima de 2,5%”, afirmou.

A economista chama a atenção ainda para a reunião do CMN na quinta-feira. Na reunião, deve ser decidida a meta de inflação para 2023. O colegiado tem como alvo 4,00% em 2020, 3,75% em 2021 e 3,50% em 2022.

“Há espaço para o BC ir para 3%. Mas considerando o processo gradual de redução da meta, a partir dos 3,75% de 2021, esperamos que a de 2023 seja de 3,25%”, afirmou, lembrando que os núcleos de inflação têm rodado abaixo de 3% e que o BC tem credibilidade em ancorar as expectativas.

Por Mateus Fagundes

Estadão Conteúdo

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