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Fuga de capital da bolsa é recorde

O mercado acionário brasileiro teve um dia de pânico no pregão de ontem, marcado mais uma vez pelo nervosismo com o avanço do novo coronavírus pelo mundo e, agora, pelo Brasil. A queda do Ibovespa, somente na sexta-feira, foi de 4,14%, para 97.996,77 pontos, menor nível em mais de cinco meses. Na semana, a baixa foi de 5,93%. Desde a virada do ano, o índice desabou 15,26%, impulsionado também pela saída do capital externo.

Até quarta-feira, que é o dado mais recente da B3, os investidores estrangeiros já haviam retirado da Bolsa brasileira R$ 44,798 bilhões. O número supera o saldo negativo recorde de todo o ano de 2019, que foi de R$ 44,517 bilhões.

O desempenho fraco do Ibovespa ocorre em meio a um mau humor do estrangeiro com o mercado brasileiro. Além das reformas estarem estacionadas, o clima político constantemente tenso é apontado como um dos motivos para afugentar o capital externo.

Em comparação, a perda do Ibovespa é superior ao do índice S&P 500 – o mais amplo de Nova York, que recuou 8% em 2020. O índice MSCI para mercados emergentes, caiu 10,50% desde o início do ano.

“Quando se coloca um humorista para falar pelo presidente em uma situação grave como a atual, parece irreal. Mas isso aconteceu, e em um momento em que – basta olhar para o câmbio – temos sofrido mais do que outros emergentes. O investidor estrangeiro continua saindo”, apontou fonte do mercado.

“O que temos agora é um momento de apreensão, com perdas muito espalhadas. Apenas alguns setores, como o de energia elétrica, defensivo, e parte do de saúde, como o de diagnósticos, estão conseguindo contribuir de alguma forma”, complementou Gabriel Machado, analista da Necton.

Apenas nove ações do Ibovespa conseguiram sustentar alta ontem, parte delas entre as mais pressionadas nas últimas sessões: CVC (+14,40%), IRB (+2,50%), Gol (+1,94%) e Azul (+1,12%).

Nesse ambiente de forte aversão, o dólar à vista cedeu ante o real depois de 12 sessões consecutivas de alta. Em mais um dia de intervenção do Banco Central, com US$ 2 bilhões, o investidor encontrou no aumento das apostas de corte de juros nos EUA, já em 0,75 ponto porcentual e que aumentaria o diferencial de juros doméstico e externo, um espaço para alívio momentâneo. Vale destacar, porém, que com a tendência de o juro real doméstico ficar perto de zero, o câmbio deve seguir pressionado. A desvalorização de 0,38% do dólar ontem, a R$ 4,6338, não impediu que o real tivesse a pior semana ante a moeda americana desde o começo de novembro do ano passado.

Exterior

O impasse em relação ao futuro da produção de petróleo também deu sua contribuição ontem para o mau humor no mercado internacional, o que acabou tendo reflexos no Brasil. O barril do óleo negociado em Londres cedeu 9,44%, para US$ 42,27 – foi o maior tombo em uma só sessão desde dezembro de 2008, auge da crise financeira mundial. Em Nova York, o tipo leve, fechou em queda de 10,06%, a US$ 41,28 o barril.

A consultoria britânica Wood Mackenzie destaca o risco criado pela possibilidade de que, a partir do fim de março, não exista mais nenhum acordo da Opep e seus aliados. Este acerto tem garantido alguma estabilidade nos preços desde o fim de 2016. A fraqueza do petróleo pressionou ações do setor em Nova York. A Chevron recuou 1,92% e a ExxonMobil perdeu 4,83%. O índice Dow Jones fechou em baixa de 0,98%, o Nasdaq caiu 1,87%, e o S&P 500 teve desvalorização de 1,71%.

“O coronavírus, com seu impacto nas economias e nos mercados, apresenta um risco desconhecido e sem precedentes. As previsões econômicas são cercadas por ainda mais incerteza do que o normal”, destacou, em relatório, o banco holandês ING. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Por Luís Eduardo Leal, Gabriel Bueno da Costa e Fabiana Holtz

Estadão Conteúdo

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